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	<title>Núcleo TRAMAS &#187; Cerrado</title>
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	<description>Temos como foco as inter-relações entre Produção, Trabalho, Ambiente e Saúde, abordadas numa perspectiva crítica no contexto da civilização do capital, especialmente em suas formas de expressão no Nordeste do Brasil, no Ceará.</description>
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		<title>Carta aberta à Sociedade Brasileira e à Presidência da República e ao Congresso Nacional sobre a destruição do Cerrado pelo MATOPIBA</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2015 23:25:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tramas Nucleo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Cerrado]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[Matopiba]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tramas.ufc.br/wp-content/uploads/2015/12/87aeb29c-1ece-44bc-a516-1e30f2fbe13c.png"><img class="size-medium wp-image-622 alignleft" alt="87aeb29c-1ece-44bc-a516-1e30f2fbe13c" src="http://www.tramas.ufc.br/wp-content/uploads/2015/12/87aeb29c-1ece-44bc-a516-1e30f2fbe13c-300x300.png" width="300" height="300" /></a>Primeiro Encontro Regional dos Povos e Comunidades do Cerrado aconteceu entre os dias 23 e 25 de novembro, no espaço de acolhida e formação Casa Dona Olinda, região de Araguaína, Tocantins. Cerca de 170 pessoas &#8211; do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia &#8211; estiveram presentes. Confira a Carta Final do Encontro:</p>
<p>Nós, Camponeses(as), Agricultores(as) Familiares, Povos Indígenas, Quilombolas, Geraizeiros(as), Fundos e Fechos de Pasto, Pescadores(as), Quebradeiras de Coco e outros, reunidos(as) no I ENCONTRO REGIONAL DOS POVOS E COMUNIDADES DO CERRADO, em Araguaína – Tocantins, nos dias 23, 24 e 25 de novembro de 2015 , para debater sobre “PDA MATOPIBA e as consequências para os Povos do Cerrado”, viemos INFORMAR e MANIFESTAR à Sociedade Brasileira, à Presidência da República e ao Congresso Nacional do Brasil:</p>
<p>- Que a política nacional de desenvolvimento agropecuário, através do Plano de Desenvolvimento Agropecuário do MATOPIBA (PDA-MATOPIBA), instituída através do Decreto nº 8447, nada mais é que a velha e contínua política desenvolvimentista do período militar e atual, maior promotora de violências, de degradação ambiental, trabalho escravo e desigualdades sociais e econômicas do campo brasileiro.</p>
<p>- Que a delimitação territorial do MATOPIBA, abrangendo os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, impactará, agressivamente, o bioma Cerrado, “berço das águas”, onde encontram-se os maiores aquíferos do planeta, as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Araguaia-Tocantins, São Francisco e Prata), e a mais rica biodiversidade brasileira.</p>
<p>- Que a desconsideração desta diversidade biológica, cultural e de povos, por parte dos sucessivos governos, das elites econômicas, políticas e até mesmo acadêmicas, autorizou que, nos últimos anos, estas áreas fossem griladas e ocupadas pela expansão de um modelo agrário/agrícola com base na monocultura devastadora implantada pelos latifúndios empresariais – o agronegócio.</p>
<p>- Com caráter de manipulação política, estão sendo desconsiderados e invisibilisados dezenas de povos que, há diversos anos, buscam a regularização de suas terras. Com isso, numa região de graves conflitos, aumentarão ainda mais os problemas socioambientais.</p>
<p>Por isso, nós, povos e comunidades do Cerrado, movimentos sociais e sindicais, organizações de apoio e assessoria, signatários desta carta, a partir de nossas reflexões e debates, viemos manifestar o nosso posicionamento CONTRA o PDA MATOPIBA, pois:</p>
<p>- Promoverá ainda maior destruição da vida e exclusão de povos do Cerrado, vindo reforçar o crescimento do êxodo rural, o aumento da pobreza e a invisibilidade das populações existentes no território. O PDA MATOPIBA não representa desenvolvimento, pois atinge os modos de vida das comunidades do Cerrado;</p>
<p>- Não é um projeto de desenvolvimento sustentável, pois “mata” a água, a terra, o bem viver dos povos indígenas, quilombolas, camponeses e demais comunidades;</p>
<p>- Aumentará a grilagem das terras e a violência física e psicológica contra as populações do Cerrado;</p>
<p>- Aumentará a degradação ambiental, agravando ainda mais os problemas hídricos: rios estão secando, águas estão sendo envenenadas, matas ciliares estão desaparecendo e áreas de recarga dos aquíferos, ocupadas pelas monoculturas, perdendo sua capacidade de recarga;</p>
<p>- Irá beneficiar apenas as grandes empresas nacionais e multinacionais, os latifundiários do agronegócio, visando somente o seucrescimento econômico;</p>
<p>- Trará mais impactos negativos ao meio ambiente e às populações tradicionais do entorno, com destruição das matas e solos pelo uso intensivo de tratores e “correntões” – forma usada para desmatar o Cerrado – e pelo abusivo uso de agrotóxicos com pulverização aérea intensiva;</p>
<p>- Aumentará apenas o poder econômico do agronegócio e opolítico dos atuais parlamentares comprometidos com o mesmo;</p>
<p>- Fortalecerá uma estratégia política e pessoal da senadora, ex-presidente da CNA e atual ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Katia Abreu (PMDB-TO), através da busca de maiores investimentos de recursos do governo federal, via MATOPIBA, para o estado do Tocantins, visando a viabilização de seuprojeto político eleitoral.</p>
<p>Diante desta situação Repudiamos e Denunciamos:</p>
<p>- A Violência contra as comunidades camponesas, perpetrada pelo agronegócio aliado ao Estado e ao poder Judiciário, que tem imposto uma situação de barbárie, com aumento dos conflitos, ameaças de morte e assassinatos no campo. Como lamentável exemplo citamos a situação de Campos Lindos, no Tocantins, e a expulsão da pequena agricultora Dona Raimunda e sua comunidade, moradores há 62 anos na sua terra, no município de Barra do Ouro. O Juiz Luatom Bezerra, da Comarca de Goiatins (TO), emitiu ordem judicial de despejo a pedido do grileiro e sojicultor Emilio Binotto;</p>
<p>- A crescente compra de terra por grupos estrangeiros nas áreas do MATOPIBA e demais regiões dos biomas Amazônia e Cerrado;</p>
<p>- A Transposição do Rio São Francisco que tem provocado a morte dos diversos rios e igarapés existentes no Cerrado e Semiárido; e a iminente ameaça da implementação do projeto de transposição do Rio Tocantins para o Rio São Francisco;</p>
<p>- O aumento das autorizações para desmatamento e outorgas de água para monoculturas irrigadas na região Oeste da Bahia, tendo como modelo a ser implantado os chamados “piscinões” da Fazenda SUDOTEX no município de Correntina (BA);</p>
<p>- A Construção da hidrovia Araguaia-Tocantins e das barragens de Marabá, Serra-quebrada, Santa Isabel, Perdida Dois e Rio do Sono; além dos projetos de asfaltamento de estradas em Terras Indígenas, como as TO-126, TO-010, TO-500 e de abertura da Transbananal, que como a construção da Ferrovia de Integração Leste-Oeste (FIOL), MT-TO-BA, da ferrovia Norte Sul e do Porto de Itaquí, no Maranhão, causarão danos irreparáveis ao meio ambiente e às populações locais;</p>
<p>- A paralisação das ações discriminatórias por pressão do agronegócio no Oeste da Bahia;</p>
<p>- A desconstrução dos direitos dos povos indígenas e comunidades quilombolas através da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que transfere do Executivo para o poder Legislativo a demarcação das Terras Indígenas, titulação dos Territórios Quilombolas, e a criação de unidades de conservação; da Portaria 303 (que quer estender as 19 condicionantes da área Indígena Raposa Serra do Sol para todas as terras indígenas); da PEC 237 (que facilita o arrendamento de Terras Indígenas) e o Projeto de Lei (PL) 1610 (mineração).</p>
<p>O Cerrado merece cuidado e respeito. Por isso, apelamos à consciência nacional, à Presidência da República e ao Congresso Nacional para que se ponha um fim à veloz destruição deste bioma, o mais antigo do planeta, se não quisermos passar para a posteridade o estigma de termos destruído, em poucas décadas, o que a Natureza levou milhões de anos a construir.</p>
<p>Araguaína, Tocantins, 25 de novembro de 2015.</p>
<p>Subscrevem a presente carta:</p>
<p>CPT –Comissão Pastoral da Terra<br />
CIMI –Conselho Indigenista Missionário<br />
Articulação Camponesa do Tocantins<br />
APA-TO – Alternativa para a Pequena Agricultura no Tocantins<br />
Escola Família de Campos Lindos &#8211; Tocantins<br />
MIQCB – Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu<br />
AMIQCB – Associação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu<br />
ASMUBIP – Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio<br />
Escola Família Agrícola Padre Josimo<br />
Agência 10envolvimento<br />
Rede Cerrado<br />
Associação Pro-Cultura de Formoso do Rio Preto<br />
Colônia Z-64 Riachão das Neves – Bahia<br />
Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de São Desiderio – Bahia<br />
STR Santa Rita de Cassia – Bahia<br />
MAB – Movimento dos Atingidos Por Barragens<br />
Coletivo de Fundo e Fecho de Pasto do Oeste da Bahia<br />
ACEFARCA – Associação Comunitária da Escola Família Agrícola Rural de Correntina e Arredores<br />
MAISVERDE – Movimento Ambientalista Grande Sertão Veredas<br />
CONVALE – Conselho Ambiental do Vale do Rio de Ondas –<br />
AMB – Associação de Mulheres de Buriti do Tocantins<br />
TEIA – Organização dos Povos Tradicionais do Maranhão<br />
MOQUIBOM – Movimento Quilombola do Maranhão<br />
COEQTO – Coordenação Estadual dos Quilombolas do Tocantins<br />
CRB – Conferência dos Religiosos (as) do Brasil – Maranhão<br />
CRB – Núcleo Miracema Tocantins<br />
Pastoral Indigenista da Diocese de Grajaú &#8211; Maranhão<br />
Associação União das Aldeias Apinajé Pempxa<br />
Associação Mãkra-re do povo Krahô<br />
CNS – Conselho Nacional das Populações extrativistas<br />
Associação Comunitária Nova Santana &#8211; Piauí<br />
Assentamento Rio Preto – Piauí<br />
Assentamento Taboca, PA Flores – Piauí<br />
Assentamento Barra do Correntinho – Piauí<br />
Associação dos moradores das Melancias – Piauí<br />
Movimento das Comunidades populares (MCP) – Maranhão<br />
Diocese de Brejo – Maranhão<br />
Assoxiação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti – Tocantins<br />
Associação da Comunidade Remanecente de Quilombo Grotão (ACOREG) – Tocantins<br />
STR de Campos Lindos &#8211; Tocantins</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes/noticias/articulacao-cpt-s-do-cerrado/3001-carta-aberta-a-sociedade-brasileira-e-a-presidencia-da-republica-e-ao-congresso-nacional-sobre-a-destruicao-do-cerrado-pelo-matopiba">Comissão Pastoral da Terra</a></p>
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